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Risco Sistémico e Não Sistémico no Investimento em Ações

Risco Sistémico e Não Sistémico

O investimento em ações está sujeito a vários tipos de riscos, nomeadamente o risco de liquidez, risco operacional, risco das taxas de câmbio, risco da taxa de juro, risco do setor, risco sistémico (ou de mercado), risco não sistémico, entre muitos outros.

Atualmente estamos a atravessar um período muito conturbado na história da humanidade, que tem trazido elevada volatilidade aos mercados financeiros, assim como, diminuído o apetite pelo risco por parte dos investidores. Esta situação é fruto do risco sistémico, muitas vezes impossível de prever, e que traz grandes desvalorizações aos portfólios dos investidores.

O risco sistémico a que faço referência é nova pandemia do novo coronavírus (Covid-19), que começou a manifestar-se fortemente, no final de janeiro na cidade de Wuhan, capital e maior cidade da província de Hubei na China. Este novo vírus rapidamente se espalhou ao resto do mundo, e em muitos países a situação parece estar um pouco descontrolada.

A elevada propagação do vírus e o crescimento exponencial registado no número de novos casos, tem feito com que vários países tenham implementado medidas de forte restrição às atividades económicas e liberdade de circulação das pessoas. Como consequências as famílias terão no futuro próximo quebras nos seus rendimentos, e os lucros das empresas estão gravemente afetados, pela paragem abrupta que se tem registados nos mais diversos setores de atividade.

Neste artigo, vamo-nos focar em compreender a diferença entre o risco sistémico e o risco não sistémico no investimento em ações.

 

O que é o risco sistémico?

Como o próprio nome indica, este é o risco que envolve o sistema como um todo. Como envolve todo o “sistema”, não pode ser eliminado. Todas as empresas que fazem parte do sistema estão expostas a este risco, e dessa forma os investidores em ações também o estão.

Ao longo das duas últimas décadas assistimos a dois grandes acontecimentos que afetaram o mercado financeiro como um todo: a crise financeira de 2008 e este ano (2020) a pandemia do Covid-19. Independentemente do tipo de ação, e do setor da empresa, o resultado foi o mesmo: todos os investidores viram os seus portfólios desvalorizar consideravelmente, independentemente da bolsa de valores em que as ações estavam cotadas (S&P500, Nasdaq, NYSE, PSI 20, Nikkei 225, etc.).

Existiram alguns setores de atividade menos afetados por estas crises, mas de uma forma ou de outra todos sofreram fortes desvalorizações. A mensagem principal a reter é: não é possível anular o risco sistémico no investimento em ações. Querendo ou não, estamos sempre sujeitos a ele.

 

O que é o risco não sistémico?

O risco não sistémico, como o próprio nome indica, é um risco que não está relacionado com o sistema como um todo. No entanto, é um risco que tanto pode afetar uma única empresa como um setor de atividade inteiro.

Vamos focar-nos no risco não sistémico que afeta em particular uma única empresa, ou seja, o risco decorrente de fatores próprios e específicos da cada organização. Por exemplo, se uma empresa está muito dependente de um número reduzido de clientes, e por alguma razão perde um desses clientes, a empresa enfrentará grandes dificuldades, assim como também nós, os acionistas, muito provavelmente, iremos ver o valor das nossas ações se deteriorar. Mas, o facto de esse problema ter acontecido, não vai trazer impacto para as outras empresas, nem para o setor onde essa empresa se insere. Assim, o risco de perder um cliente importante é não sistémico, porque envolve apenas a empresa. É precisamente por esta razão que conseguimos diminuir (e não anular) o risco não sistémico.

A melhor forma para reduzir o risco não sistémico é através da diversificação dos investimentos. Não apenas diversificar o número de ações diferentes, mas também geografias e tipos de instrumentos financeiros (exemplo: obrigações, fundos de índice, fundos de investimento, certificados de aforro, etc.).

 

Compreendeu a diferença entre risco sistémico e não sistémico? Se ainda tiver dúvidas, escreva-as, em abaixo, na caixa de comentários.

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