Conceitos

Independência Financeira em Sete Passos

A liberdade financeira ou Independência Financeira é um tema que desperta especial interesse à geração millennials (geração na qual me incluo). Para mim, a verdadeira questão está em vivermos uma vida com propósito, termos controlo sobre a forma como usamos o nosso tempo e não apenas trabalhar para viver (ou sobreviver). Assim, neste artigo vamos falar (e refletir) sobre sete passos para alcançarmos a completa (ou parcial) liberdade financeira, o que não significa necessariamente ficarmos milionários.

Os motivos principais para os problemas financeiros, da maioria das pessoas, estão relacionados com falta de disciplina, foco e autocontrolo. Muitas pessoas não conseguem adiar a gratificação e gastam no presente tudo o que têm e uma parte do que virão a ganhar no futuro. Parte do consumo é feito através de crédito ao consumo e plafonds de cartões de crédito. Isto é o mesmo que dizer, que a maioria das pessoas vive o presente a hipotecar o futuro. É uma realidade, que a mim me aflige um pouco, e por essa razão, espero com este artigo, possibilitar a todos os leitores, uma reflexão profunda, sobre a forma como podemos viver o presente com propósito, e mesmo assim construirmos um futuro ainda mais promissor.

Todos nós temos em comum o facto de queremos ter mais dinheiro, ganhar mais e nunca mais termos de nos preocupar com a falta dele. Mas será que mais dinheiro vai traduzir-se necessariamente em sentirmo-nos mais felizes? Vai fazer com que nos sintamos mais completos e realizados? Com estes sete passos, vou responder a estas perguntas, e guiar o leitor no sentido de alcançar a independência financeira sem abrir mão do bem-estar no presente, das suas paixões e do seu propósito de vida.

 

O que é a Independência Financeira

A liberdade ou independência financeira, pode ter várias definições, vamos explorar algumas:

  • O objetivo final da independência financeira é conseguirmos, a dada altura das nossas vidas, não termos de trabalhar diariamente e termos dinheiro de fontes de rendimento que já construímos, para pagar as nossas despesas ou custo de vida;
  • A Independência financeira é fazermos com que o dinheiro trabalhe para nós em vez de sermos nós a trabalhar para o dinheiro, ou seja, continuarmos a ganhar dinheiro mesmo quando estamos a dormir, isto é, sem precisarmos de trabalhar.
  • Ter segurança e liberdade financeira para decidir no que trabalhar e quanto tempo queremos dedicar ao trabalho, é a cereja no topo do bolo, para todos aqueles que procuram alcançar a independência financeira.

O objetivo principal com os sete passos que se seguem é alcançamos a liberdade financeira enquanto fazemos aquilo que verdadeiramente nos apaixona, enquanto vivemos a vida dos nossos sonhos. Sacrificar vinte a trinta anos das nossas vidas, com o propósito de no futuro não termos de trabalhar, é na minha opinião um autêntico desperdício, um completo disparate.

Sem mais demoras vamos explorar cada um dos passos, sendo que a ordem dos mesmos tem um papel decisivo.

 

Sete Passos Para Alcançar a Sua Independência Financeira

 

1 – Encontrar aquilo que realmente o apaixona e na qual é realmente bom

Este é sem dúvida o primeiro passo para vivermos uma vida com significado. Sabermos aquilo que verdadeiramente gostamos de fazer, quem queremos servir e o problema que queremos resolver, não é apenas importante para alcançar a liberdade financeira, é também importante para vivermos uma vida plena, com paixão e com propósito.

Neste ponto é importante distinguirmos paixão de propósito, porque não é necessariamente o mesmo. De uma forma simples, paixão é sobre nós, o que realmente nos diverte, o que nos dá prazer, o que nos faz esquecer o tempo. Por outro lado, propósito está relacionado com o problema que gostaríamos de ajudar a resolver. Quem é que gostaríamos de servir.

Dando o meu próprio exemplo, apenas como forma de ser mais simples a compreensão destes dois conceitos, as minhas paixões são: ler livros, aprender novos conceitos, empreendedorismo, gestão de empresas, investimentos nos mercados financeiros, finanças pessoais, caminhadas na natureza, viajar, e por aí fora. Por outro lado, o meu propósito, ou problema que eu quero ajudar a resolver é impulsionar a capacidade das pessoas em gerarem rendimentos de forma a que não tenham de trocar o seu tempo por dinheiro, ou fazer algo que não gostam porque necessitam de pagar contas no fim do mês. As pessoas que eu quero servir, são todas aquelas, que tenham como objetivo viver uma vida com mais significado, com mais liberdade, para dedicarem o máximo do seu tempo a fazer as coisas que mais gostam.

Existem muitos pontos em que as minhas paixões tocam no meu propósito. Como gosto de ler, aprender novos conceitos, investimentos financeiros, empreendedorismo, etc. aquilo que eu tenho que fazer para viver o meu propósito é aprender cada vez mais sobre estes assuntos, simplificar os conceitos, acrescentar a minha visão e partilhar todo o meu conhecimento, por todas as pessoas que pretendam ter mais liberdade financeira por via do empreendedorismo e/ou dos mercados financeiros.

Para vivermos o nosso propósito não temos necessariamente de investir num negócio próprio, podemos simplesmente querer trabalhar num hospital, num tribunal, numa grande multinacional, e se assim for está tudo bem. Se é isso que nos faz sentir completos, apaixonados pelo trabalho e pela vida, é esse o caminho que deve ser seguido.

A pergunta que deve conseguir responder neste ponto é: se o dinheiro não fosse um problema e se falhar não fosse uma opção, o que é que faria?

 

2 – Domine a sua arte

Depois de sabermos o que verdadeiramente nos apaixona e o que temos de fazer para vivermos o nosso propósito, temos de desenvolver as capacidades e deter os conhecimentos necessários para sermos realmente bons na nossa arte (especialidade).

Criar uma obsessão por crescer em termos pessoais e profissionais é um ponto essencial para construir a sua liberdade financeira. Para gerar rendimentos acima da média, tem mesmo de ter conhecimentos acima da média, tem de se esforçar acima da média, tem de dominar a sua arte mais do que qualquer outra pessoa. Quanto melhor você for, melhores serão certamente os resultados que conseguirá alcançar.

Transforme-se na pessoa com os conhecimentos e com as capacidades necessárias para alcançar um nível de excelência. Este é um compromisso diário e para a vida. Procure aprender com os melhores da sua área de especialização, ouça podcast sempre que tiver oportunidade, leia os melhores livros sobre desenvolvimento pessoal e sobre o problema que quer ajudar a resolver, veja vídeos, frequente vários cursos, converse com outras pessoas da área, aprenda através dos meios que forem mais indicados para si. Nunca podemos parar de crescer, de vivenciar novas experiências e de procurar novos conhecimentos.

O ponto chave para este segundo passo é: Se queremos ganhar mais dinheiro, temos de acrescentar mais valor e/ou servir mais pessoas. Tudo se resume a isto.

 

3 – Criar um produto que adicione muito valor a quem está a servir

Depois de sabermos o que nos apaixona, quem queremos servir e que problema queremos resolver, e depois de dominarmos as competências necessárias para sermos realmente bons na nossa arte ou especialidade, temos de criar um produto ou serviço que acrescente muito valor e que vá solucionar o problema de quem estamos a servir.

É através deste passo que vamos criar as ferramentas necessárias para servirmos os outros e em troca sermos remunerados por isso. Lembre-se quanto mais valor acrescentar melhor será remunerado, e isto é válido tanto para trabalhadores por conta de outrem ou para pessoas com um negócio próprio.

Vamos imaginar que a sua arte está relacionada com nutrição, e o problema que quer ajudar a resolver é a obesidade infantil, i.e., ajudar as crianças a alimentarem-se bem, a terem o peso ideal e a manterem uma vida mais ativa e saudável e livre das doenças provocadas por uma nutrição deficitária.

Se for este o tema que o sensibiliza, e que lhe toca profundamente, pode pensar e desenvolver produtos e/ou serviços que possam ajudar as crianças a alimentarem-se bem e a serem mais saudáveis. Para o caso de trabalhar para uma empresa do setor, pode propor um novo produto e ganhar uma percentagem das vendas, como por exemplo: workshops para os pais, consultas de nutrição infantil, campo de férias para promover e aprender hábitos alimentares mais saudáveis, e por aí fora. Alternativamente e se porventura, pretender desenvolver um projeto próprio nesta área, poderá escrever livros direcionados aos pais, pode ter um website ou blog a falar sobre esta temática e promover workshops e cursos online. Enfim, não faltam ideias, é só mesmo apontar todas as suas ideias num papel e começar com um pequeno passo de cada vez 😊

 

4 – Captar a atenção do seu público e ter a capacidade de lhe vender o seu produto/serviço

Depois de sabermos o que nos apaixona e que somos bons, após dominarmos a nossa arte e criarmos o nosso produto/serviço, temos de desenvolver os meios, as capacidades e as ferramentas certas para captar a atenção do nosso público e conseguir vender o nosso produto/serviço.

De nada nos serve ter um produto excecional, em que investimos muito do nosso tempo e dinheiro, se depois não conseguimos captar a atenção das pessoas e de o vender. As vendas são um ponto essencial, e conseguir captar a atenção do seu público, é também uma arte que terá de dominar, para ter sucesso e alcançar a sua liberdade financeira.

Se por exemplo, pretende um aumento salarial, terá de ter a capacidade de negociar com o seu chefe ou captar a atenção dos decisores da empresa, demonstrar as suas aptidões e convencer de que efetivamente merece esse aumento.

Se porventura pretender criar um projeto próprio, para captar a atenção do seu público e conseguir vender, deverá focar a sua atenção em:

  • Conseguir ganhar a atenção das pessoas – por exemplo, através do marketing digital;
  • Criar desejo e confiança no seu público – por exemplo, através da criação de conteúdos gratuitos que demonstrem o seu conhecimento e que o aproximem das pessoas interessadas em resolver o problema que identificou.
  • Diminuir a fricção e barreiras à compra – por exemplo, através do preço ou do serviço de assistência.
  • Garantir que a experiência do produto/serviço excedeu as expectativas do seu cliente. Lembre-se que se defraudar as expectativas o cliente não volta mais. Se igualar pode ser que volte. Se superar volta de certeza e ainda recomenda aos amigos e familiares.

 

5 – Garantir que está a ter o mínimo de custos possíveis

O quinto passo está relacionado com a sua disciplina financeira, e a capacidade de deixar de gastar dinheiro nas coisas que já não lhe servem. Este passo serve tanto para a gestão de um negócio próprio como para a gestão das suas finanças pessoais.

No que diz respeito a conseguir alcançar a sua independência financeira, mais importante do que ganhar milhares de euros é saber gastar bem o seu dinheiro, de forma a conseguir guardar uma parte significativa dos seus rendimentos. Tudo se resume à seguinte frase: não é o dinheiro que ganhamos que importa, mas sim aquele que conseguimos guardar.

Para poupar algum dinheiro (eu prefiro chamar-lhe gastar bem), não necessita de um esforço extraordinário, é suficiente medir cuidadosamente os seus gastos, e ser um pouco criativo. Ganhe o hábito de mensalmente analisar todos os gastos realizados no mês anterior, e elaborar um orçamento, por categoria, para os gastos do próprio mês. Assim, conseguirá identificar quais as categorias de custos que mais consomem o seu orçamento, e planear algumas atividades de substituição, igualmente prazerosas, mas menos dispendiosas.

Já escrevi aqui para o blog um artigo sobre dicas de poupança indolores 😊 para colocar em prática no presente de forma a preparar o futuro. Recomendo muito que leia, para se inspirar, e talvez pôr em prática já hoje algumas dessas estratégias, que lhe vão fazer poupar centenas ou até milhares de euros num ano.

A título de resumo do quinto passo para a independência financeira, podemos dizer que deverá garantir que gasta o seu dinheiro de forma inteligente, para que consiga reservar uma parte significativa do seu rendimento, para investir na sua liberdade financeira.

 

6 – Guarde uma percentagem automaticamente para depois investir

Quando começamos a estudar a temática das finanças pessoais, e a ler livros sobre a criação de riqueza, há um ponto que todos esses livros têm em comum: é necessário reservar mensalmente e de forma automática uma percentagem dos nossos rendimentos para o futuro.

Um dos compromissos que tem de assumir o mais cedo possível, é reservar uma parte do seu rendimento mensal, para investir. Essa percentagem não deve ser menos de 10% do seu rendimento líquido, no entanto, e caso consiga guardar uma percentagem mais elevada, tanto melhor. Se quer alcançar a liberdade financeira, mesmo que parcial, tem de se comprometer, sem exceção, e de forma automática a poupar uma parte do seu rendimento e a investi-la, de forma a que o seu dinheiro se vá multiplicando ao longo dos anos. Tão importante como guardar uma parte do seu rendimento, é investir o mesmo de forma a que esse dinheiro comece a trabalhar para si e gerar rendimento passivo. Para quem nunca investiu, pode ser um assunto aparentemente complexo, mas dou-lhe a garantia que investir está ao alcance de todos nós, independentemente da nossa área de formação. Para ajudar nesta temática, recomendo que leia dois artigos que escrevi recentemente, aqui para o blog, são eles: Como analisar uma ação em 6 passos e o que é um ETF.

Em jeito de conclusão do passo número seis deixo-lhe as seguintes palavras: em vez de poupar o que sobrar, gaste o que sobrou depois de poupar.

 

7 – Invista até atingir um montante que lhe vai permitir ganhar rendimento passivo, para o caso de não querer trabalhar.

Investir em ativos que lhe possam gerar rendimentos passivos é o último passo (mas não o menos importante) para conseguir alcançar a tão desejada independência financeira (total ou parcial).

Existem vários tipos de investimento que deve equacionar para o seu dinheiro. Pode investir em imobiliário, ações, obrigações, ETF, Fundos de Investimento, Hedge funds, etc. Existe uma panóplia de ativos, para os quais se dedicar algum tempo a compreender, poderá fazer com que multiplique o seu dinheiro, sem que para isso tenha de despender muito esforço. Poderá equacionar a possibilidade de entregar o seu capital a uma sociedade de gestão de património, ou se se sentir confiante e com a motivação necessária, poderá gerir você mesmo o seu dinheiro e construir um portfólio de investimentos que lhe permitam ganhar de forma consistente rendimentos passivos.

 

Conclusões

A independência financeira pode ter diferentes significados de acordo com os objetivos de cada pessoa. Para uns, ser independente financeiramente é ter dinheiro suficiente para pagar as suas despesas mensais (e da sua família) e ao mesmo tempo, poder decidir que projetos profissionais vão ou não abraçar. Para outros a independência financeira é simplesmente não ter de trabalhar mais, e mesmo assim continuar a ter rendimentos suficientes para manter um determinado nível de vida.

Independentemente do significado ou importância que atribui a este conceito, é, na minha opinião, muito importante gerirmos de forma correta a relação entre o que abdicamos no presente para vivermos no futuro. Como referi logo no início deste artigo, para mim só faz sentido procurarmos alcançar a independência financeira se o preço a pagar não for demasiado alto, se mesmo colocando o nosso foco nesse objetivo de médio/longo prazo possamos continuar a viver a vida dos nossos sonhos, com propósito e paixão.

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