Gastar bem

10 dicas de poupança no presente para preparar o futuro

10 dicas de poupança

Quando comecei a pensar em escrever este artigo, a ideia era identificar 10 dicas de poupança, para preparar o futuro, mas mal coloquei mãos à obra, percebi que “10” era um número demasiado pequeno para a quantidade de ideias que me estavam a surgir. Para que o artigo não ficasse demasiado longo, decidi apresentar neste artigo as primeiras 10 dicas de poupança, ficando já a promessa de uma parte n.º 2, com mais 10 estratégias.

Como já deve saber, o mantra do self-made money é: gastar bem, ganhar mais e investir melhor. Neste artigo irei debruçar-me sobre a primeira parte do mantra, “gastar bem”, para que consiga libertar dinheiro para preparar o seu futuro.

Poupar (eu gosto de lhe chamar “gastar bem”), não tem de ser um sacrifício, e é um dos principais pilares para que possa preparar a sua independência financeira, quer seja para a reforma, ou simplesmente para trabalhar menos (independência parcial).

Para investir de forma consistente, é imperativo conseguir alocar à sua conta de investimentos capital de forma regular, e idealmente que esses reforços sejam feitos com o mínimo de esforço possível. Assim, e porque acredito que ao alterarmos pequenos hábitos de consumo, conseguimos poupar algumas dezenas ou mesmo centenas de euros, para que possamos começar a construir o nosso portefólio de investimentos, rumo à independência financeira.

Nos próximos pontos vai encontrar 10 dicas de poupança, para se inspirar e pôr em prática a partir de hoje. O objetivo principal é viver bem no presente sem hipotecar o futuro 😊

 

1 – Diminua a frequência com que troca de carro

Lidar com dinheiro exige muita disciplina, compromisso e estudo, mas, acima de tudo, uma grande mudança de mentalidade. É importante termos consciência de que existem decisões de muito maior impacto financeiro, como a compra de um imóvel ou de um carro, comparativamente com o gasto de ir tomar um cafezinho com os amigos ao fim de semana.

Comprar um carro novo, para a maioria de nós, exige um esforço financeiro elevado, e que compromete, durante alguns anos, uma percentagem elevada do nosso rendimento disponível. Assim, este é um tipo de gasto que deve ser feito, só após estudarmos todas as alternativas possíveis. Todos sabemos também da enorme desvalorização anual a que os automóveis estão sujeitos.

As principais marcas automóveis, estão constantemente a aliciar os consumidores para a troca de carro. Por um lado, temos as enormes “facilidades” de pagamento, por outro temos a tecnologia automóvel a evoluir a uma velocidade bastante superior à das nossas carteiras. No momento que decidir trocar de automóvel, aconselhe-se bem. Será que o seu carro não aguenta mais alguns anos, sem grandes problemas? Conseguirá comprar um carro mais barato, e por essa razão liquidar grande parte do valor logo na entrada? O prazo para pagamento do novo carro não será demasiado alargado? São muitas as questões, sobre as quais deve refletir antes de decidir trocar de carro. Qual quer “desconto” ou poupança que conseguir nesta rubrica de gastos, fará toda a diferença no seu planeamento financeiro mensal.

 

2 – Faça uma pequena lista das coisas que mais gosta de fazer e que são gratuitas

Já alguma vez fez uma lista das coisas que mais gosta de fazer e que o/a fazem mais feliz? Este é um exercício de autoconhecimento, muito importante. Muitas vezes e na correria do nosso dia a dia, não paramos para refletir nestes assuntos.

Faça uma pequena lista de todas as atividades que mais gosta de fazer (não limite as opções só porque custam dinheiro). Dessa lista, destaque tudo o que gosta de fazer e não custa dinheiro, ou então que representa apenas um gasto residual. Por exemplo, eu adoro caminhar na natureza e ler um bom livro. Não me privo de ler só porque custa dinheiro, sempre que consigo opto por livros em segunda mão ou emprestados.  Por outro lado, quando o tempo assim o permite, visto uma roupa desportiva e vou caminhar pela natureza. Estas são as minhas duas atividades preferidas, sempre que posso, passo um bom tempo a fazê-las. E você, será que dedica tempo suficiente ao que mais gosta de fazer?

 

3 – Pense duas (ou três) vezes antes de comprar

Esta é a minha dica preferida, e aquela que me tem feito poupar centenas de euros nos últimos anos. A dica é simples, antes de comprar qualquer coisa, pergunte uma, duas, três ou as vezes que forem necessárias, até ter uma resposta firme: preciso mesmo deste produto/serviço?

Por exemplo: será que necessita mesmo desse novo casaco? Ou está a ponderar comprar porque ficaria bem com as suas calças novas? Se está mesmo a precisar de um casaco novo, não haverá uma opção mais em conta, sem prescindir da qualidade? Dá para aguardar pelos saldos ou outra campanha promocional (ex. Black Friday)? Se já respondeu a todas a estas questões e a resposta for: “sim, preciso mesmo deste casaco”, (e tem dinheiro para o fazer) só tem uma solução, comprar sem remorsos.

Se afinal não precisa do casaco e supondo que o mesmo custa 100€, saiba que se investir esse dinheiro durante 10 anos, com uma taxa de rentabilidade anual de 8%, no final terá 215€. Pode não parecer muito, mas se fizer o mesmo exercício para todas as peças de roupa que comprou e deu pouco uso, vai chegar a uma poupança de algumas centenas (se não milhares) de euros, em poucos anos.

 

4 – Vá deixando os hábitos com os quais já não se identifica

Os nossos hábitos dizem muito de nós. Ao longo da nossa vida vamos deixando para trás alguns hábitos que já não se encaixam na nossa vida, e vamos adquirindo outros. Faça uma lista de todos os hábitos, que tem atualmente, e que para os manter necessita de gastar algum dinheiro. Alguns exemplos podem ser: tomar café fora de casa algumas vezes ao dia, comprar uma nova peça de roupa todos os meses, tomar o pequeno almoço ou lanche fora de casa, fumar de forma social, jantar fora aos fins de semana, ver Netflix, etc.

Depois de ter a sua lista de hábitos feita (e que lhe custam algum dinheiro), reflita para cada hábito, se o mesmo acrescenta algo de positivo à sua vida atual? Será que o conseguiria reduzir ou mesmo eliminar? Comece por um hábito de cada vez, e aos pouquinhos vá reduzindo ou mesmo eliminando os hábitos que podem já não fazer sentido para si.

Eu por exemplo, há alguns anos, tinha o hábito de tomar café fora de casa duas vezes por dia. Entretanto e como queria reduzir o consumo de determinados alimentos menos saudáveis (como o açúcar) decidi reduzir aos poucos o consumo de café. Atualmente, passo várias semanas sem tomar qualquer café. Esta foi uma mudança de hábito relacionada com a alimentação, mas que me proporcionou uma poupança generosa.

Vamos fazer contas. Se eu continuar a deixar de tomar café durante os próximos 10 anos, qual será a minha poupança, nesse período? 2 cafés por dia (1,4€) x 365 dias = 511€. Supondo que o preço do café se mantém inalterado nos próximos 10 anos (o que é pouco provável), a minha poupança total será de 5.110€. Se eu tivesse oportunidade de aplicar a poupança anual, num investimento que me rendesse 8% ao ano, no final desse período eu teria a quantia de: 7.402,63€ (se não compreendeu este último cálculo, fica prometido para breve um artigo totalmente dedicado ao cálculo dos juros compostos).

 

5 – Aprenda a converter rapidamente o valor do gasto em horas de trabalho

Esta é uma dica um pouco mazinha, e que por si só, já nos fará reduzir substancialmente muitos dos nossos gastos supérfluos. Imagine que está em casa, e depois de um dia de trabalho, está sem qualquer vontade de cozinhar e decide pegar no telefone e encomendar um Sushi para dois. Imagine que antes de pegar no telefone, opta por calcular quanto tempo necessita de trabalhar para repor o valor que irá pagar pelo Sushi (por exemplo, 30€). Números redondos, para um salário de 1.000€ líquidos, terá de trabalhar aproximadamente 5 horas para ganhar esses mesmos 30€. Ainda tem vontade de encomendar Sushi? A sopa que está no frigorífico não tem agora melhor aspeto? 😊

 

6 – Aprenda a cozinhar os pratos que mais gosta, prepare boas refeições e resista à tentação de comer frequentemente fora de casa

É verdade que necessitamos de apoiar os negócios locais, nomeadamente os bons restaurantes portugueses, mas também é importante não hipotecar o nosso futuro.

Jantar fora é para mim um dos melhores programas de fim de semana, mas, bem sei o impacto financeiro que esse hábito provoca nas nossas finanças pessoais. Desde que comecei a ter mais consciência dos meus gastos, jantar fora ao fim de semana é agora (salvo algumas exceções) um acontecimento a repetir apenas em dias especiais. Alternativamente, prefiro juntar a família ou os amigos em casa, e dar largas à imaginação e preparar boas refeições, que no final permite poupar algumas dezenas de Euros.

Organizar um jantar em casa em vez de ir a um restaurante tem também enumeras vantagens, tais como: pode beber um bom vinho sem ter de pagar uma pequena fortuna, pode estar mais confortável e esquecer o horário, pode fazer várias experiências gastronómicas sem receios. São imensas as vantagens de trocar o restaurante pela sua casa, no entanto e no meu ver, este não é um hábito que nos devemos privar na totalidade. Acredito que de acordo com a disponibilidade financeira de cada um (e a importância que representa esse hábito), é possível encontrar um equilíbrio entre as refeições feitas fora de casa, e as refeições em casa.

 

7 – Diga não às comissões bancárias

Este é dos gastos que mais me aborrece. Não existe nada (pelo menos para mim) mais incomodativo, do que confiar o nosso dinheiro a um banco e de tempos em tempos, quase sem pré-aviso, vermos alguns movimentos a débito para: despesas de manutenção de conta, imposto de selo, anuidade do cartão, blah blah blah whiskas saquetas. É terrível, e parece que esta prática está para ficar, mas mesmo assim e com alguma ginástica ainda é possível reduzir as comissões bancárias e até ficar isento da mensalidade associada às despesas de manutenção de conta.

Existem alguns bancos com tarifários mais acessíveis, mas que, no entanto, exigem a subscrição de uma conta poupança, ou um determinado saldo médio na conta. Por exemplo o Novo Banco, mediante a subscrição de uma poupança programada de 10€, tem um tarifário reduzido em que paga apenas as despesas de manutenção de conta (um valor bastante reduzido considerando a prática do mercado), as operações online “normais” são gratuitas e o cartão de débito e crédito também.

Neste ponto, é importante conhecer todas as comissões que o seu banco lhe cobra, e posteriormente falar com o seu gestor de conta de forma a ver quais as alternativas que o banco dispõe para isentar ou reduzir os custos associados à manutenção da sua conta bancária.

De acordo com um estudo divulgado pela Deloitte, cada português paga, em média, cerca de 78€ por ano em comissões bancárias, e que por exemplo em Espanha esse valor é de apenas 38€.

 

8 – Use roupa intemporal e aproveite os saldos para comprar roupa para o ano seguinte e não só

Esta dica ouvi num podcast há uns tempos, e identifiquei-me rapidamente com ela. Quantas vezes eu já não comprei um tipo de calças ou camisola que se usa numa determinada estação, e no ano seguinte, já não se usa porque simplesmente aquele padrão ou modelo passou de moda? A roupa fica como nova no guarda-fatos e por sorte volta a ser usada uns bons anos depois (se ainda nos servir) porque está novamente “na moda”.

Depois de eu ter tomado consciência desse facto, comecei a comprar roupa intemporal, calças de ganga mais básicas, camisolas e camisas sem padrões exagerados, ou determinadas peças de roupa que sei, à partida, que no próximo ano não estará dêmode. Sempre que vêm os saldos, aproveito para comprar uma ou outra peça de roupa, que me traga um pouco de diversidade, e que a possa usar durante alguns anos.

Se quer saber quanto poderá poupar com esta dica, vá ao seu guarda-fatos e conte o número de peças de roupa que mesmo estando novas, não usa porque os padrões ou modelos estão já um pouco desatualizados. Quanto lhe terá custado toda essa roupa?

 

9 – Diga adeus, sem remorsos, ao seu cartão de crédito

Apesar de existirem alguns defensores do uso do cartão de crédito, eu continuo a encontrar mais desvantagens do que vantagens no seu uso. A principal razão pela qual eu acredito que o cartão de crédito não é um bom aliado das nossas finanças pessoais, é pelo facto de facilitar algumas compras por impulso, nomeadamente no comércio online.

O marketing online agressivo envolve muitas vezes questões neurológicas, sendo que muitos dos anúncios que vemos, têm em consideração a forma como o nosso cérebro reage aos estímulos exteriores e à forma como a tomada de decisão é feita. Todos nós estamos sujeitos a que uma determinada publicidade, a um produto ou artigo, tenha um impacto gigante em nós. Por um lado, porque comprar/consumir é prazeroso, por outro porque temos também as nossas necessidades e carências que gostamos de ver atendidas.

Acontece que uma decisão de compra feita em poucos minutos (por vezes em alguns segundos) pode levar-nos a tomar más decisões de consumo. Mesmo quando não temos o dinheiro disponível, mas, no entanto, temos um cartão de crédito, com plafond suficiente para realizar essa compra, somos tentados a finalizar. Acredito que situações como esta já aconteceu com todos nós. Eu própria, há uns anos (em 2015), marquei uma viagem de última hora (para Nova York), porque me deixei levar por um anúncio na internet. Precisava daquela viagem? Não. A viagem valeu a pena? Sim, muito. Será que conseguira um melhor preço, se pesquisasse com mais tempo? Provavelmente sim.

Caso, tal como eu, já tenha usado o seu cartão de crédito para finalizar compras por impulso, talvez deva entregar o cartão ao banco, e limitar-se a comprar quando realmente precisa e quando tiver dinheiro disponível para o fazer e que não lhe fará falta.

 

10 – Leia livros sobre finanças pessoais

Lidar com dinheiro não é uma tarefa nada fácil, é necessário muita disciplina, compromisso e estudo. Sempre que eu pretendo aprender um determinado tema, a primeira coisa que eu faço, é selecionar 3 a 4 livros, mais recomendados sobre essa temática. Se o tema me interessar muito, vou adicionando mais livros até sentir que domínio o assunto.

Sou uma viciada (assumida) em livros, e por essa razão já foram muitos os livros que li sobre finanças pessoais. Não me identifiquei com todos eles, mas existem alguns que são como pedras preciosas, que o tempo não apagou e continua a valorizar, e que ao mesmo tempo nos ajudam no processo de mudança de mentalidade em relação ao dinheiro e à nossa relação com ele.

Existem 3 livros sobre esta temática que recomendo o estudo (não apenas a leitura), a todos aqueles que pretendam expandir o conhecimento em finanças pessoais, são eles:

 

Conclusões

Como vimos, gerir o nosso dinheiro não é uma tarefa nada fácil, no entanto, se dedicarmos alguns momentos a refletir de que forma podemos gastar bem o nosso dinheiro, vamos encontrar muitas estratégias indolores e que nos permitirão libertar capital para investirmos no nosso futuro. Deixo uma dica final: não poupe o que sobra, gaste o que sobrou depois de poupar.

 

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