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Como começou a minha jornada de investidora na bolsa

Ainda o Facebook não tinha lançado a sua OPA (em inglês IPO) já eu andava a fazer “asneiras” nos mercados financeiros 😉. Tudo começou em 2010/2011, tinha acabado de terminar o curso de economia, e estava a dar os primeiros passos no mundo do trabalho, mais propriamente no departamento de controlo de gestão, de uma multinacional do setor automóvel.

O meu primeiro contacto com o mundo do trabalho não foi o melhor, durante algum tempo questionei-me se tinha escolhido o curso certo, pois não me imaginava a desempenhar as funções de controller, por muito tempo. Não me identificava com o trabalho, não me identificava com a cultura da empresa, e a diferença entre a camaradagem entre colegas na universidade era bem diferente da camaradagem entre colegas de trabalho, e esse sim foi o maior choque que senti na altura.

Rapidamente percebi que tinha de existir um outro caminho para mim, e foi nessa altura que comecei a procurar outros projetos e encontrei um pequeno raio de luz nos mercados financeiros. Passados 10 anos, ainda não me dedico na totalidade aos mercados financeiros, mas desde 2011 que esta temática tem estado muito presente na minha vida.

 

Os primeiros passos

Os meus primeiros passos nos mercados financeiros são (acredito) muito semelhantes aos da generalidade dos investidores. Comecei a assistir a webinars e a pesquisar na internet como poderia ganhar um rendimento que me permitisse viver dos investimentos na bolsa. Nessa altura não conseguia encontrar essa resposta. Estudei analise técnica, criei várias contas em corretoras como a XTB, IGMARKETS, PLUS500, e por aí fora. Todas elas vendiam o mesmo: produtos alavancados de altíssimo risco, e uma visão de curtíssimo prazo sobre os investimentos em bolsa. Rapidamente perdi o interesse nessa filosofia de investimentos e passados 2 anos, abandonei por completo a ideia de que algum dia conseguiria fazer disto uma profissão a tempo inteiro, que gerasse os rendimentos necessários para ter um “salário” ao fim do mês. No balanço destes 2 primeiros anos, não perdi dinheiro (perdi tempo), mas o que consegui ganhar foi residual.

 

A falência do BANIF, do BES e as grandes quedas do Millennium BCP

Em 2012, no pico da crise em Portugal, fui trabalhar para Angola. Nessa época o meu propósito era juntar dinheiro durante alguns anos, regressar a Portugal e comprar a minha casa. Assim o fiz.

Em Angola foi acumulando algum dinheiro, e fazia-me alguma confusão não o usar para ganhar ainda mais. Ter o dinheiro em depósitos a prazo a render (na altura) 1 a 2%, deixa-me um pouco incomodada. Queria que o meu dinheiro parado tivesse mais valor, e regressei aos investimentos em bolsa 🙂

Durante os anos de 2013 a 2015 voltei a investir na bolsa de valores, mas desta vez em empresas do PSI 20. Deixei por completo os produtos alavancados e derivados, e comecei a investir maioritariamente em empresas portuguesas. Ao longo de 3 anos (tempo em que vivi em Angola) fui comprando e vendendo ações, ao sabor das notícias que ia lendo, e tentando ganhar com as correções/recuperações temporárias dos preços. Não sabia nada sobre os negócios em que tinha investido, não sabia se estavam caros ou baratos, apenas me deixava levar pela tendência que os títulos apresentavam. Esta estratégia (ou falta dela) fez-me comprar ações de empresas sobreavaliadas, e a ter que assumir perdas de alguns milhares de euros. Algumas dessas empresas foram o BES, o BANIF e o Millennium BCP. Cheguei a deter, ao mesmo tempo, ações desses 3 títulos da banca portuguesa, que representavam mais de 40% da minha carteira (ainda não sabia o que era o verdadeiro significado de diversificação). Felizmente desfiz-me dessas posições, mesmo antes do final que todos conhecemos, mas no caso do BANIF e do Millennium as minhas perdas foram superiores a 50% do valor investido.

Alguns dos investimentos que fiz nesse período tiveram bons retornos, e por essa razão o cenário não foi tão desolador como se poderia antecipar, considerando a estratégia que usei. Nesse período percebi que as minhas opções de investimento eram influenciadas na sua maioria pela ganância de querer mais, e pelo medo de perder tudo. Não fazia investimentos racionais, e vivia com medo do que poderia acontecer ao meu dinheiro.

Com o meu regresso a Portugal em 2015, e com a necessidade de comprar casa própria, desfiz-me de todas as posições que tinha em carteira, e coloquei todo o meu dinheiro num único investimento (outro grande erro):s a minha casa. Fiquei sem liquidez e afastada dos mercados financeiros durante os 3 anos seguintes.

 

Como o investimento em valor veio ao meu encontro

Em 2018, e com 30 anos, decidi recomeçar a investir nos mercados financeiros, mas agora com o objetivo de construir uma carteira de investimentos que me possa proporcionar rendimento passivo na reforma. Desde então, comprometi-me com um valor mensal, e todos os meses faço novos aportes e análises à minha carteira de investimentos.

Consciente dos erros que cometi no passado, e também da sorte que me acompanhou, decidi começar a estudar sobre investimentos em bolsa. Procurei os melhores livros, ouvi os melhores podcast, fiz alguns dos melhores cursos de finanças pessoais, e todos eles me levavam para um caminho cada vez mais estreito e afunilado: “O Investimento em Valor” (farei brevemente um post a explicar em que consiste esta estratégia de investimento). Foi no investimento em valor que encontrei a filosofia de investimento que me deixa mais confortável com os meus investimentos. Nunca mais tive noites mal dormidas, nunca mais tive medo de perder todo o meu dinheiro, e foi por essa razão que decidi criar este projeto. Quero partilhar a minha experiência com todos, para que não cometam os mesmos erros que eu cometi, para que tomem decisões de investimento conscientes, e que usem as estratégias de investimentos que já se provaram no tempo. O investimento com o foco no longo prazo, e a filosofia do investimento em valor, dão-nos a calma necessária para podermos desfrutar dos mercados financeiros, e do glamour que para mim ainda tem 😊

 

Obrigada por dedicarem uns minutos a ler a minha jornada de investidora em bolsa. Vemo-nos no próximo artigo.

 

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