Investir melhor

Cinco regras de ouro nos investimentos

Antes de abordarmos a temática principal desde artigo (Cinco regras de ouro nos investimentos) é importante percebermos que regras não são mais do que princípios que servem como padrão ou norma, que orientam o nosso comportamento e auxiliam-nos no caminho que queremos percorrer. Porque é importante definirmos regras nos nossos investimentos? A razão principal para definirmos um conjunto de regras (princípios) nos investimentos é reduzirmos a probabilidade de virmos a cometer erros, que nos possam impedir de sermos bem-sucedidos, e de alcançarmos nos mercados financeiros os objetivos que delineamos para nós.

Acredito firmemente que se cada um de nós construir o seu sistema de regras, com base na experiência de investidores bem-sucedidos, teremos a nossa ‘checklist’ pronta para podermos desfrutar de voos mais altos.

Sem mais demoras, irei apresentar-lhe as cinco regras que considero essenciais para o sucesso nos investimentos. Estas regras fazem parte da minha ‘checklist’ e foram selecionadas através dos conhecimentos partilhados pelos maiores investidores do nosso tempo. As cinco regras são…

 

Regra n.º 1: Não Perca Dinheiro

Os melhores investidores têm como foco não perder dinheiro com os seus investimentos, sendo que as duas regras de investimento mais publicitadas de Warren Buffett são: Regra n.º 1 – Nunca perca dinheiro; Regra n.º 2 – Nunca se esqueça da regra n.º 1. Porque será? O motivo é muito simples, quando mais dinheiro perder, mais difícil será regressar ao ponto de partida.

Vamos analisar o quadro abaixo. Se fizer um investimento na compra de ações de uma determinada empresa e se o preço a dada altura estiver a cotar a 50% do valor que pagou, será necessário que o ativo valorize 100% para igualar o seu preço de compra. É uma longa espera para recuperar da perda, e que muitas vezes, nunca chega a acontecer. Repare também no quanto precisa de recuperar se o valor do seu investimento se deteriorar em 60%. É assustador, e por essa razão devemos proteger-nos de perdas avultadas.

Tendo isto em mente, os investidores de maior sucesso sabem que não é possível prever, de forma consistente, o comportamento do mercado ou de uma determinada ação, e por essa razão é importante deterem uma estratégia de investimento que consiga proteger os seus portefólios de riscos ou eventos inesperados, ou simplesmente protegerem-se da possibilidade de as suas análises poderem estar erradas. Assim, é importante construirmos um modelo de alocação de ativos que assegure a nossa sobrevivência, no mundo dos investimentos, mesmo quando fazemos uma escolha de investimento menos acertada.

A alocação de ativos não é mais do que estabelecer previamente uma determinada percentagem de investimento, para cada tipo de ativo, e que ao mesmo tempo permita atingir os seus objetivos de investimento, reduzindo os riscos e maximizando o retorno. Um exemplo de uma alocação conservadora é:  30% em ações; 50% em obrigações; 20% depósitos a prazo ou similares (este é apenas um exemplo, não refletindo a realidade dos meus investimentos).

 

Regra n.º 2: Relação Risco/Retorno Assimétrica

Existe um mito relacionado com os investimentos que correlaciona de forma direta risco e retorno, ou seja, para um determinado investimento de risco elevado o retorno potencial também seria elevado. Esta relação não passa de um mito e de uma armadilha em que muitos investidores acabam por cair, investindo muitas vezes em ativos que não conseguem compreender (e de elevado risco) na eventualidade de o retorno vir a ser elevado.

Os investidores de sucesso, não caem nessa armadilha de elevado risco/elevado retorno, em vez disso, procuram oportunidades de investimento que ofereçam uma relação assimétrica entre risco e retorno. Por outras palavras, os “investidores inteligentes” procuram investimentos em que o retorno seja bastante superior ao risco (arriscar o mínimo possível para ganhar o máximo possível).

A melhor forma de conseguirmos uma relação assimétrica entre risco e retorno, é investirmos em ativos que estejam em determinado momento com um valor de mercado inferior ao seu valor intrínseco, nomeadamente em momentos de elevado pessimismo nos mercados, provocados por eventos externos às empresas, mas que afetam o mercado como um todo. As correções de preços e os ‘Bear Markets’ representam muitas vezes um presente dos mercados financeiros, para os investidores mais pacientes.

Nesta regra está bastante presente o conceito de investimento em valor, filosofia de investimento seguida por Warren Buffet, que defende que os momentos de pânico generalizado é o melhor momento para adquirir empresas vencedoras a preço de saldos, sendo que o risco de perda é limitado e o potencial de subida é incrivelmente elevado.

 

Regra n.º 3: Gestão fiscal eficiente

A questão tributária e fiscal nos investimentos, normalmente requer algum tempo até ser totalmente compreendida pelos investidores. De uma forma geral, em Portugal, as mais valias na venda de ações, são tributadas a uma taxa de 28%. Isto quer dizer que sempre que vende uma ação e tem uma mais valia nessa venda (ou seja, o valor de compra foi inferior ao valor da venda), terá de declarar em sede de IRS essa mais valia, e assim será tributado em 28%, se não optar pelo englobamento. O mesmo acontece com os dividendos, que são tributados a uma taxa de 28%, no entanto o valor do imposto é retido diretamente pelo banco no momento do pagamento (se usar um intermediário financeiro com sede fiscal fora de Portugal, a tributação automática poderá ser diferente, e será necessário fazer o acerto através da declaração de rendimentos).

 

(Para saber mais sobre dividendos recomendo que leia o artigo: O que são os dividendos de uma empresa?)

 

Apesar da importância que as questões fiscais têm nos investimentos, o mais importante é focarmo-nos em não perdermos dinheiro e investirmos em ativos com uma relação assimétrica entre risco e retorno. No entanto, antes de tomarmos alguma decisão de investimento devemos perguntar-nos se essa opção de investimento é eficiente em termos fiscais? Existirá outra forma de o fazer e que seja mais eficiente?

Por exemplo, se estiver a considerar investir num determinado fundo de investimento, poderá ser interessante investir num fundo que não faça distribuição de dividendos, ou seja que reinvista os dividendos de forma a aumentar os retornos no futuro, são os chamados fundos de investimento de acumulação. Quais as vantagens em termos fiscais? Como só é tributado no momento em que vende a sua participação, ou recebe dividendos, pode continuar a aumentar o seu capital investido sem que seja tributado, sendo que o valor do seu investimento continuará a aumentar, em vez de se deteriorar devido aos impostos que terá de pagar se optar por um ativo que faça distribuição. Compreendeu a ideia? É através da acumulação e do reinvestimento dos lucros que conseguimos os tão aclamados juros compostos, ou seja, juros de juros.

 

Regra n.º 4: Diversificação

Já falámos aqui no blog, várias vezes sobre a importância da diversificação dos nossos investimentos. Este conceito parece mesmo perseguir os investidores, mas não é ao acaso que sempre que se fala em dicas, erros, princípios ou regras nos investimentos, este conceito tenha sempre de ser mencionado. A verdade é que a diversificação é uma regra de ouro (um dos princípios basilares) que todos os investidores devem ter em consideração no momento de alocarem o seu capital nos mercados financeiros.

Já escrevi um artigo completo sobre como diversificar corretamente os investimentos, pelo que não me vou alongar muito em explicações sobre o significado desta regra, no entanto, e a título de resumo, a essência da diversificação está relacionada com não colocarmos os ovos todos na mesma cesta.

As quatro formas mais importantes para diversificar os investimentos são:

  1. Diversificar os investimentos entre várias classes de ativos, nomeadamente entre ações, obrigações, fundos de investimento, depósitos a prazo, etc.;
  2. Diversificar os investimentos dentro da mesma classe de ativos, como por exemplo deter ações de várias empresas e não apenas de uma ou de duas;
  3. Diversificar demograficamente e entre moedas diferentes.
  4. Diversificar no tempo, ou seja, alocar periodicamente, à sua carteira de investimentos, novo capital, de forma a aproveitar novas oportunidades.

 

Regra n.º 5: Esteja sempre preparado para um Bear Market

Por último e não menos importante, é termos uma estratégia de investimento que esteja preparada, não apenas para sobreviver, mas lucrar num ‘Bear Market”.

Os mercados de baixa (ou bear markets) poderão representar os melhores ou os piores momentos dos investidores, dependendo das decisões que tomar. Se tomar uma decisão errada, como muitas pessoas fizeram na última crise financeira em 2008 e 2009, um bear market poderá ser financeiramente catastrófico, fazendo com que o valor do seu património investido demore alguns anos (ou mesmo décadas) para recuperar. No entanto, se tomar decisões corretas, não terá nada a temer.

No meu entender existem duas formas principais para estar preparado para um momento de pânico nos mercados. Primeiro, deve ter os seus ativos alocados de forma correta, e a segunda é estar posicionado no mercado de forma um pouco conservadora, para que não seja obrigado a desfazer-se das suas posições, quando o mercado estiver em baixa. Por outro lado, ter controlo sobre as suas emoções é também um dos pontos a que deve dedicar especial atenção. De nada serve ter a alocação correta, e estar posicionado de forma um pouco conservadora, se depois não consegue suportar a ideia de ver o seu dinheiro desvalorizar perante um evento não previsível.

É importante nunca esquecermos que todos os bear markets, eventualmente irão dar origem a um bull market, independentemente do quão pessimista o futuro se apresente.

 

(Recomendação de leitura: Como combater o medo de uma correção ou queda no preço das ações)

 

Conclusões

Todos nós temos o nosso sistema de regras e de crenças relativamente aos investimentos. Estas cinco regras, são apenas o meu singelo contributo para que possa enriquecer a sua estratégia de investimento, ou apenas que o leve a refletir sobre o assunto.

Conhece outras regras de ouro nos investimentos? Conte-nos nos comentários.

 

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